o mar do poeta

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quinta-feira, fevereiro 24

ROTA DOS CANHÕES - 5a. Parte - JOSÉ MARTINS

Saturday, September 20, 2008

NA ROTA DOS CANHÕES - A IMPORTÂNCIA DOS PORTUGUESES NA DEFESA DO REINO DO SIÃO

Parte 5ª
Sobre a história do Sião na era de Ayuthaya ainda haveria muito a descrever, dado que só cheguei ao ano de 1548. Por falta de tempo e porque vamos dar início a um outro e novo trabalho, desconhecido, a partir de 1 de Outubro, próximo, fico na quinta parte que completam vinte desde que começamos a contar a história do fundidor Manuel Tavares Bocarro. As armas de fogo, como já foi explicado em partes anteriores eram, praticamente, pouco conhecidas (talvez já operadas sem éxito pelos chineses), no Reino do Sião e, foram estas, introduzidas pelos portugueses a partir de 1511, de quando as relações diplomáticas foram incetadas por António Miranda de Azevedo. Outras comunidades estrangeiras, do ocidente, só a partir de meados do século XVII principiam a estabelecer-se no Sião. A francesa em força e pouco significativas a holandesa e a inglesa. As intenções dos franceses era o de colonizarem o Sião e contrabalançar o poderio dos ingleses na Índia e os holandeses a dominarem a Indonésia e os mares do Oriente, onde uma das práticas, da Companhia das Índias Orientais (um estado dentro de outro estado) era o de piratearem os navios, portugueses e juncos chineses. Por 130 anos, os portugueses residentes no Sião, formaram uma comunidade luso/siamesa, cremos, significativa a viver no "Ban Portuguete", cujos os homens portugueses, chegados ao Sião, à aventura e em procura do "Eldorado", casaram, em Ayuthaya com mulheres siamesas. Como é conhecido os missionários do "Padroado Português do Oriente", desde que os portugueses tivessem liberdade e autorização de se fixarem num país desde logo, ali, era erigida uma igreja para divulgar a religião católica. No Sião os missionários do Padroado não encontraram barreiras que os impedisse (graças à tolerância dos Reis e da religião Budista) de ensinar e praticar o catolicismo no "Ban Portuguete". Nas vizinhanças não existiam relações de amores, entre portugueses, furtivos e platónicos, mas matrimónios, sob o desígnios, da igreja católica. Se entende dado que o homem português obedecia, como se pode afirmar, cegamente aos missionário. O homem português, dado às condições de vida miserávei e de pobreza extrema, em Portugal, as pestes medievais europeias e outras importadas da Ásia, onde se inclui a "peste negra", periódicamente, fazia grandes rombos na população portuguesa. A chegada das naus das Índia, ao Tejo, carregadas de especiarias veio a criar euforia entre o homem do povo, uma onda de desejo de emigrar para o oriente em procura de uma vida melhor. Convinha ao Rei de Portugal, de quantos mais homens, portugueses, emigrassem para a Ásia e Oriente, mais se consolidava a presença portuguesa naquela área. Mas muitos desses desgraçados, quando embarcaram nas naus da Índia no Tejo, já estavam infectados com a peste e acabavam, depois de morrer, atirados ao oceanos Atlântico e Índico. Esses homens embarcados "ao Deus calha", sem empregos já firmados, mas com a viagem de graça nas naus da coroa, logo desembarcados nos portos da Índia teriam de recomeçar uma nova vida. Ramificaram-se pelo sudeste asiático e não olhavam a modo de vida e foram vendendo a sua mão-de-obra, conforme as oportunidades que se lhe ofereciam. Deixaram de ter pátria e a deles era a sobrevivência e com isto se ofereciam como soldados mercenários aos reis do Sião e do Pegú. Por diversas vezes, homens portugueses, esquecendo a lusitanidade que os unia, lutaram uns contra os outros em campos de batalha, e ajuste de contas entre os Reis do Pegú e do Sião. Curioso aqui notar que o Rei Baying, do Pegú (depois de meados do século XVI), numa das suas investidas contra o Reino do Sião, atravessando a fronteira Mae Lamow Pass (província de Tak, centro norte da Tailândia, num exército de 120 mil homens, 18 mil soldados de cavalaria, apoiados por 8.500 elefantes, estavam incluídos, 2 mil soldados, mercenários, portugueses. Em 1986, a TDM (Televisão de Macau), incumbiu-me de lhe fazer um trabalho de investigação em Lampang, no norte da Tailândia, e ver por lá o que existia sobre a passagem dos portugueses. A TDM, tinha em vista de realizar uma longa metragem, sobre a história dos portugueses na Tailândia e em Malaca. O filme foi produzido, em Abril de 1987, a que lhe foi dado o nome "A Glória de Ayuthaya", uma obra prima a que se ficou a dever aos jornalistas: Avelino Rodrigues e Gonçalo César de Sá, que antes, os dois, tinham realizado um trabalho, meritoso, no Japão, na ilha de Tenagashima, conhecida pela "Ilha da Espingarda". Fernão Mendes Pinto, andou por ali, embora não refira o nome de Lampang, mas designa Lamphung. que se situa mais ao norte e a pouco mais de uns 60 quilómetros. Assim não há a menor dúvida que Pinto passou por Lampang, durante as campanhas do Rei do Sião, em procura de reconquistar Chiang Mai ao Pegú. Em 1984, a embaixada de Portugal, em Banguecoque, sob a gerência do embaixador Mello-Gouveia, tinha um excelente relacionamento com os directores do " Fine Arts Department" (Belas Artes), em Banguecoque e Ayuthaya. Graças ao meu amigo de longa data, Patipat, arqueólogo e quem dirigiu os trabalhos de escavação das ruínas do "Ban Portuguete", passou-me uma carta para entregar ao director do "Fine Arts Department", em Lampang, senhor Sadki. Sem ter conhecimento, o Patipat, telefonou ao bom homem para que me fosse dada a melhor hospitalidade, já característica tailandesa. Viajei, de Banguecoque, durante a noite de comboio, ao amanhecer, estava a desembarcar na estação do caminho de ferro de Lampang. Esperava por mim o bom homem (bastante idoso), com uma viatura, mais uma senhora do seu departamento. Em 1986, embora o turismo fosse uma importante, parte, significativa, na economia da Tailândia, a cidade de Lampang e província ainda estava por explorar pelos estrangeiros. A cidade era sossegada e estava repleta de história e espalhadas, por ali ao acaso muita artilharia, fundida de ferro coado e num templo budista a pouco mais de um quilómetro da cidade, a espingardaria portuguesa, estava ali bem vinculada. O meu anfitrião senhor Sadki, juntamente com a sua funcionária, levaram a todos os lugares onde havia vestígios da passagem dos portugueses. E, ainda, fui transportado ao local (Aldeia Pong Saeng Tong), junto ao templo budista, "Patan Khum Muang", onde estão duas imagens " irmãs gémeas" de dois Lordes Budas, fundidas com diversos metais, incluindo 133 quilos de ouro puro. A pouca distância do templo, numa larga planice, tinha-se ali travado uma batalha terrível entre o Reinos do Pegú e do Sião onde os portugueses lutaram uns com os outros. Esta batalha e a presença dos portugueses ficou na memória das populações, de Lampang e foi passando de geração em geração, durante o período de 420 anos. Hoje e quem viajar pela Tailândia, encontra em várias cidades, vilas ou aldeias, pequenos ou grandes baluartes, onde há canhões e ameias, bem portuguesas. No cimo desses muros. foram construídas ameias e entre os espaços, colocados, canhões que serviram para os Reis do Sião, se defenderem da intrusão dos Reis do Pegú que pretendiam a alargar o seu território. Graças à artilharia portuguesa, à espingardaria e aos artilheiros luso, ensinando os siameses a operar com as peças de fogo grosso e a disparar as armas, o Reino do Sião possui as fronteiras que hoje tem. Porém apesar da segunda capital Ayuthaya, ter caído e saqueada em 1767, pelo exército do Reino do Pegú, nunca conseguiu conquistar o Reino do Sião.
José Martins

Um comentário:

Manuel Cardoso disse...

BELA LIÇÃO DE HISTÓRIA SIM SENHOR AMIGO TOI, LI E GOSTEI. ENTÃO POR ONDE ANDAS, DESTA VEZ QUE JÁ Á MUITO TEMPO QUE NADA SEI DO MEU AMIGO, DÁ NOTICIAS PARA ÉVORA PARA SABER DE TI OK? UM GRANDE ABRAÇO DO QUIMBÉ: